FaceBoolha

Para quem votou em São Paulo especificamente, posso imaginar dois cenários ao dia posterior das eleições.

1. A pessoa acorda feliz com a vitória de Dória, o que lhe parecia óbvio segundo sua timeline da maior rede social usada no momento;

2. A pessoa acorda desesperançosa e caindo-lhe a ficha de que vive uma bolha, pois sua timeline era só “amô”  com o povo que votaria em Haddad ou Erundina.

Ao meu ver, o que elas parecem que ainda não se deram conta (ou insistem em não perceber), é que vivem em bolhas. Os famosos algoritmos da rede em que muito provavelmente você teve acesso a esse texto por exemplo.

Uma coisa que vi também nesse período era alguém de certa forma reclamando de que não havia gente para conseguir mudar voto em sua lista de amigos, afinal, todos já “fechavam com ele”. Talvez exatamente pelo fato de que essa pessoa conscientemente ou não já tenha excluído aquelas pessoas que pensam diferente de você (e olhe lá se ela não prega o respeito pela diferença dela).

Temos que pensar e repensar nosso mundo que não se resume ao mundo virtual. Nas ruas, cruzo com pessoas que pensam ou é diferente de mim por todo o momento, mas quando vou cruzar a catraca do metrô do qual vejo uma pessoa visivelmente completamente diferente de mim, não posso desfazer a presença da pessoa na minha frente como se faz nas redes sociais. Tenho que conviver com ela e isso é um exercício de respeito ao diferente (assim como o outro também deve estar olhando para você e pensando o quão diferente você possa ser).

Alguns papos vão surgir como a culpa é de quem votou na Erundina (A culpa do Russomano não ter sido eleito é de quem votou em Dória?) E na boa? Continuo achando que a classe política nada de braçada enquanto o povo se divide e familiares deixam de falar um com outro por causa disso.

Ainda ontem em churrasco na casa de amigos enquanto eram computadas os resultados das eleições, eu falava aos presentes. O problema não é exatamente esse ou aquele vencer as eleições. O problema é: Esse processo realmente tem servido para a população em geral? Pode apostar que para boa parte sim…

P.S.: Ainda saindo da cabine de votação ontem comentei: Me sinto em um circo, do qual obviamente eu sou o palhaço…

Demetrius Carvalho Written by:

2 Comments

  1. outubro 3, 2016
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    Somos todos palhaços. !!!! Excelente o comentário

  2. outubro 3, 2016
    Reply

    Somos todos palhaços. !!!! Excelente o comentário

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