Um ano sem David Bowie

10 de Janeiro de 2016. Era um domingo em meio as férias no qual você se permite ficar na cama até mais tarde. Quando acordei, peguei o meu celular para conferir o que havia acontecido no mundo, se havia alguma mensagem. Coisas desse péssimo hábito da vida moderna sempre on line.

Circulavam as primeiras notícias de que David Bowie havia falecido. Eu simplesmente não conseguia crer e ficava saltando de veículos de comunicação ou rede social em busca de uma notícia que desmentisse o fato, mas isso acabou não se concretizando.

Aquilo me deu uma tristeza tão grande que sendo domingo, me enfurnei no travesseiro novamente e peguei no sono. Ao reacordar, já havia gente “problematizando” (esporte do internauta em 2016) e aquilo definitivamente terminou de derrubar meu estado de espírito. Acusações completamente infundadas acerca de um dos maiores artistas que já haviam passado por esse planeta.

Tenho um gato chamado Bowie para se ter uma ideia. Tenho um quadro dele, um imã de geladeira e um respeito digno de reverência ao camaleão do rock, mas devo admitir, acho saudável admitir que não conheço sua obra em plena totalidade. Vou ainda mais longe: do trabalho que conheço, não gostei de tudo mas não se pode negar que Bowie procurou se reinventar por toda a sua carreira. A dita zona de conforto nunca lhe agarrou e esse talvez lhe seja uma de suas maiores virtudes.

Nesse nosso mundo problematizador atual com opiniões binárias, onde é ou não é, Bowie foi muito mais do que ser ou não ser. Eis que não era essa a questão e mesmo em sua morte, me influenciou pois foi ali naquele momento em que decidi não mais ler comentários na internet.

Lembro exatamente a primeira vez que o ouvi e o quanto a música “Modern love” impregnou em minha cabeça.

Enquanto pensava em escrever, a notícia de outra morte sentida: Zygmund Bauman. Filósofo polonês, mas isso fica para amanhã pois esses caras me ensinam que viver é importante e não ser o mais rápido nesses tempos de comunicação instantânea.

Lorde inglês que era, Bowie deve estar abrindo as portas do céu para conversarem um pouco sobre o amor líquido…

Por aqui, você nos faz falta meu rapaz…

 

 

 

Demétrius Carvalho Written by:

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