In the end…

Chester Bennington é a citação explícita tanto no título quanto na charge de Nivaldo Wesley. Muito pouco tempo antes, Chris Cornell. A morte de fato faz parte da vida, mas é diferente como a de hoje de Luiz Melodia decorrente de complicações advindas do câncer. Foram pessoas que não aguentaram a pressão da vida e optaram pelo caminho do suicídio. O que merece atenção especial nesse caso, é o fato de ambos serem músicos ricos, famosos e bem sucedidos.

Óbvio que ninguém sabe de detalhes sobre o que eles passavam e há fortes indícios de que no caso de Chris Cornell, ele pode ter sofrido efeito colateral de remédio que tomava. No caso de Chester, circula um vídeo onde ele fala do seu processo de depressão. Os fantasmas que lhe atormentavam a mente quando este ficava só e tinha que conviver consigo.

Sequer passa pela minha cabeça tentar julgar ou entender o que aconteceu. Só posso lamentar, mas imagino então o que acontece fora dos holofotes com as pessoas normais que passam dificuldades ou em que suas vidas não possuem esse requinte todo.

Não sei de existe algum estudo entre taxas de suicídio hoje e em outros períodos, mas eu, do alto de minha ignorância percebo que quanto mais pressão, maiores os índices. Os ditos países mais competitivos parecem estar doentes. Parecem empurrar de preferência os trabalhadores da base da pirâmide financeira para metas cada vez mais irracionais enquanto patrões postam suas fotos de intermináveis férias em algum lugar do país.  Provavelmente te perguntaram onde você queria estar daqui 5 anos quando entrou em seu emprego apenas para lhe dar a ilusão de que você pode estar no lugar dele. A realidade é que muito  provavelmente não.

O mundo está em crise, o capitalismo está em crise, o Brasil está em crise e vão dizer para você lutar e continuar. Mas quem vai dizer? Provavelmente aqueles que estão bem nesse jogo. Precisam que façam a roda rodar por eles. Afinal, quem pode, não vai rodar. Precisam de combustível.

Certa vez peguei um ônibus em São Paulo. Estava concentrado em minha leitura mas a conversa entre motorista e cobrador começou a me chamar a atenção até me deixar paralisado de terror. Falavam de um outro motorista da empresa que já estava 59 anos dirigindo para essa empresa. Cinqueeeentaaa e nooooveeee. Muito além até do que Temer quer de cada um de nós.

— Por que ele não se aposenta? Perguntou o motorista.

— Diz ele que tem medo. Não sabe fazer outra coisa. Respondeu o cobrador.

Cada dia que passa, mais sinto esse mundo adoentado, mas nem tento mudar nada na macro esfera como filosofei com o escritor Leo Mackellene. É micro mesmo. É em min apenas. Nesse aspecto até, vale a leitura da última matéria aqui escrita.

Se eu pudesse dar algum conselho a alguém, diria apenas para viver o que gostaria de viver, mesmo que com possíveis limitações, mas não troquem a vida por um punhado de dinheiro.

Chester, Chris e tantos outros são prova de que as vezes nem com um bom montante, a vida fica leve.

Cultive boas lembranças. Melhor, crie as condições necessárias para viver boas lembranças, afinal, é o que nos resta no final… In the end…


 

Demétrius Carvalho Written by:

One Comment

  1. Ludy
    agosto 7, 2017
    Reply

    Eu sou mais uma doente deste mundo, mas depois de perceber que não posso fazer o mesmo que eles, não pq minha vida é preciosa, mas pq não quero estragar a vida de quem se importa; aprendi a aproveitar melhor os momentos e ajudar quem gosta de viver, pq in the and, it doesn’t even matter!

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