Correr bem sem olhar a quem


Para os adeptos da corrida de rua de São Paulo, esse final de semana foi recheado. As corridas começaram ainda na sexta em Mogi das Cruzes com uma corrida noturna e de trilha.

No sábado então tínhamos a R24 promovida pela Yescom, a Corrida da virada organizada de forma independente na Vila Prudente e no domingo a Global Energy, Droga Mata, Circus, Corrida Insana, 9ª Primavera Regueira e a de revezamento do Pão de açúcar.

Obviamente que não era possível eu estar presente em todas, mas estive em 3 delas e o que era para ser um final de semana de festa, foi me dando um incômodo com os corredores. Acabou sendo salvo no final graças a Circus e o grupo Vem comigo, afinal, correr e ter boas lembranças futuramente, além do ganho da qualidade de vida é o que me interessa.

A primeira que estive presente foi a R24 de uma das maiores organizadoras de corrida de rua do Brasil e talvez também o maior alvo de crítica dos corredores por preço abusivo ou falta de estrutura em alguns casos. Começo ponderando que essa corrida era completamente diferente de qualquer outra que eu já tivesse participado. Era literalmente uma festa de aniversário por São Paulo e por 24h, distribuídos por 24 equipes de 40 corredores, os atletas deveriam perfazer o total de 463 quilômetros referentes à idade de São Paulo. Algo totalmente possível com cerca de 19,3k por equipe. Reclamaram da camisa, da medalha que na internet aparentava ser mais bonita e não interessa se algum corredor não fazia a sua parte (sim, teve corredor que foi pelo kit mas não estava disposto a correr ou alterar seu treino inicial). Havia bastante água e lanche em uma celebração que foi gratuito para quem se inscreveu. Eu sinceramente só queria correr. Achei que tinha um pouco de birra com a Yescom. Sem contar que um corredor disse boicotar a empresa e não correr prova deles.

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De noite, vou para a Vila Prudente onde a história era  completamente contrária. Uma corrida independente promovida por corredores locais que fizeram uma prova em prol do Clube Arthur Friedenreich que segundo os organizadores está abandonado por prefeitura e estado por 5 anos. Essa corrida entrou na programação da Virada esportiva com parceria da prefeitura que acabou não fazendo sua parte no combinado e deixando tudo a cargo dos corredores amadores que promoveram a corrida. Tiveram que tirar do seu bolso para hidratação ou banana para os competidores. O que o corredor viu quando chegou na corrida foi uma falta de demarcação do CET e dificuldade por parte deles alterando por três vezes o percurso. Tiverem inclusive que arcar com um custo de R$ 3000 com um gerador para conseguir efetuar a largada de onde o CET indicou. O pórtico de largada subiu do chão mais de 20h que deveria ser o horário de largada. Claro que isso chateia o corredor. Me chateou. Quebra o seu aquecimento. Mas apaga tudo o que vinha  acontecendo desde as 8h da manhã em diversas modalidades esportivas em função da virada? Apaga a presença de Marilson dos Santos na inauguração de uma pista de atletismo? Fez questão de comparecer de noite na prova e disse que volta na próxima edição. Apaga tudo? Para mim, não. Principalmente por estarem trabalhando por um real legado esportivo para a região e não há como negar que a medalha foi uma grata surpresa principalmente pelo seu tamanho. Dos patrocínios que aparecem na camisa fornecida, assim como a própria prefeitura, apenas um cedeu uma ambulância para o local. Percurso da prova era pesado? Sim. Uma subida bem íngreme de uns 200 metros que se repetiria em sua segunda volta. Eu, uma vez mais quero ficar com a parte boa das corridas. Peguei a ostentosa medalha e fui para casa dormir para ir para a terceira corrida em 21h.

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A corrida Circus foi a que já se iniciou com grande parte dos participantes reclamando. Isso por atraso das camisas por parte de seus fornecedores que se deu ainda na retirada dos kits. Fez com que gente pedisse ressarcimento da prova que foi feito sem problema pela organização, mas em tempos de internet e  reclamação, o clima foi se  aquecendo e houve gente que optou por chamar a polícia para resolver a questão. Quando eu cheguei, tudo já havia sido solucionado. Já haviam chegado as camisas (de ótima qualidade para quem corre, mas que  ironicamente gerou todo esse problema) A organização se disponibilizou a fazer as entregas de quem se sentiu prejudicado no dia da prova antes da largada.

Confesso que fui ao Parque Ecológico do Tietê apreensivo e vi corredores dizendo que foram só para terminar de reclamar e jogar na internet, mas mudaram quando chegou lá. A prova foi pontual, terreno plano e de trilha excelente para correr. O clima ajudou. Havia  hidratação suficiente. Um lanche pós prova como de costume para a distância e beirando a perfeição para mim que não passou pelo problema da camisa. Haveria me chateado se isso acontecesse comigo? É óbvio que sim, mas no recorte que foi para mim, não me arrependo e volto para fazer essa prova. Mesmo por ter achado que escolheram essa prova como bode expiatório. Hoje, dia posterior da prova estão reclamando de fotos ou  cronometragem da prova (da qual dispuseram link onde fiz questão de conferir se funcionava e pude verificar meu desempenho abaixo:

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Vale ressaltar que tanto a camisa, quanto  cronometragem e fotos são trabalhos terceirizados. Problemas acontecem e claro que eu não fico feliz quando eles acontecem, mas de uns anos para cá eu resolvi concentrar minhas energias nas boas lembranças e se a Circus já havia me proporcionado uma boa experiência, penso não só na ONG que eles deram apoio com os recursos. Eu literalmente já celebrava como convidado de honra da equipe “Vem comigo” que comemorava seus 4 anos (e ainda ganhei mais uma medalha).

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e apesar de tudo, a satisfação estampada no rosto do pessoal da “Cia ballet de cegos”que inclusive se apresentou após a prova me faz pensar apenas em correr bem sem olhar a quem.

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Demétrius Carvalho Written by:

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