Neil Peart

Eu poderia escrever esse texto como a grande maioria fará. falando da sua importância para a música. E sabe por que todos assim começarão? Por ser a mais pura verdade. Eles estão corretos e por isso peço permissão para tomar um outro caminho.

Tratemos do homem e não da lenda. A pessoa que percebeu que o sentido da vida era estar junto aos seus queridos enquanto houvesse tempo e assim foi nos seus últimos dias quando o Rush permanecia em silêncio muito por causa do detentor das baquetas do grupo. Homem da literatura, o canadense era responsável pelas letras do trio mundialmente famoso. Suas letras passavam desde ficção até filosofia e dessas filosofias e dores da alma, foi necessário esse hiato na banda para o homem se encontrar.

O garoto que praticou por um ano com baquetas e almofadas até mostrar aos pais que realmente se dedicaria ao instrumento, ganhou seu primeiro instrumento aos 14 anos e foi vagando de banda em banda como a absoluta maioria dos músicos e finalmente ser uma peça insubstituível no Rush após passagem frustrada pela Inglaterra. Esse com certeza sempre estará listado entre os maiores bateristas do planeta.

Quem o conhecia mais de perto sabe que ele era uma pessoa reservada. Certa vez, Brad Wilk, baterista do Rage Against The Machine se apresentou com sua banda em um festivel junto com o seu ídolo e fez questão de ir conversar com ele mas confessa que chegando lá, foi estranho pois Neil não parecia ligar para sua devoção. Não se sentia superior nem nada. Também não era desdém. Foi algo frio.

Neil era gigante por dentro como pessoa e como todo gigante de alma, dava valor as pequenas coisas da vida e do dia a dia. Gostava de atravessar as estradas como um viajante comum e passar despercebido no meio de outros viajantes. Não fazia o menor esforço para ser reconhecido quando parava em um restaurante de estrada. Pelo contrário. Algumas das inúmeras histórias vividas estão em livros surgidos dessa experiência.

Essa introspecção acentuou-se por suas dores vividas. Perdeu filha e esposa em um intervalo de dez meses, entrou em depressão e quis se matar. Primeira vez que seus companheiros de Rush deram uma pausa mas ele conseguiu reverter esse momento chegando a casa e ter filho no novamente.

Do ponto de vista pessoal, a morte é uma das coisas que me abalam. Não que eu tenha medo dela mas essa coisa do irreversível da morte é arrasadora. Ele sequer sabia que eu existia não é mesmo? Assim como 99% dos músicos que se sentem tristes com sua partida hoje, mas a realidade seja dita. Somos um pouco do que somos por causa de mestres como ele, como Hendrix, Bowie, Freddie Mercury e tantos outras

Demétrius Carvalho Written by:

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