Feliz aniversário Andre Agassi

Me recordo de Agassi nos anos 90. Fui com a cara dele de imediato. Aqueles cabelos, roupas coloridas. Nem sei dizer por qual razão ele me lembrava Ozzy Orbourne mas com o tempo descobri que nem de rock gostava.

Nem precisava jogar, mas, o cara ainda jogava. Foi chegando mais longe e destronando grandes nomes do tênis com seu estilo espalhafatoso meio a um esporte que era muito elitizado (e as roupas tinham que acompanhar a tendência). Agassi podia jogar até de bermuda jeans, mas para espanto de quem lhe conhecia, ele sequer gostava de jogar tênis. Pelo contrário, ele odiava. Não era simplesmente não gostar. Era odiar com toda a força de seu ser de tanta pressão que seu pai lhe colocou quando criança ainda. Seu sonho era apenas tornar-se maior de idade para cessar esse suplício.

Antes mesmo dessa idade, os torneios, os prêmios, a independência financeira e uma boa colocação no ranking mundial. Essas coisas não lhe tocavam exatamente mas vem a constatação que ele não sabia fazer outra coisa e tênis ele sabia jogar.

Galgou passo a passo, torneio a torneio, título a título até que chegou ao número 1 do mundo e por vezes ficava mais feliz por sua equipe ou pelo trabalho bem feito apesar de tudo mas as derrotas eram doloridas. Principalmente porque a mídia adorava tripudiar sobre ele e mesmo seus milhares de fãs querendo ter o seu visual lhe faziam perguntar por que queriam ser ele se nem ele o queria.

Seu ciclo de amizades como Barbra Streisand, Kevin Costner, Kenny G lhe era completamente surreal. Não lhe fazia sentido, mas por outro lado, havia se tornado uma celebridade e o surreal era o seu novo normal. O amigo excêntrico de sua namorada? Michael Jackson. Ah…. claro… sua namorada era outra excêntrica… Brooke Shields. Vamos combinar que aí já era impossível ter uma vida minimamente normal e no fundo, era o que sua alma almejava. Sua rotina no entanto consistia em acordar em algum lugar do mundo sem saber onde estava para se ligar que era Austrália, França ou mesmo Brasil para disputar um torneio.

Até então, seguia sua vida pelo caminho que lhe foi aberto e perceber que mesmo casado com uma das mulheres mais cobiçadas do planeta não estava lhe fazendo bem. Mesmo gostando dela. Simplesmente ele não conseguia estar conectado ao seu “trabalho”. Embora Brooke fosse vista em seus jogos, ela não conseguia propiciar o clima para que ele continuasse fazendo o que sabia. Essa foi uma decisão que teve que tomar para que pudesse se concentrar e finalmente poder voltar ao topo já que vinha oscilando nas quadras.

Steffi Graf era o grande nome dos torneios femininos e os encontros pelos campeonatos começaram a ocorrer com uma frequência que começaram a ser minuciosamente forçados por Andre ao perceber o final de uma partida do feminino e então com tantos minutos ela deveria estar em tal ponto. De personalidade reservada, não foi uma tarefa exatamente fácil para Agassi, mas sua vida já tinha sido uma sequência de tarefas não exatamente fáceis…

Algum tempo depois, eles podiam ser vistos juntos e a concentração voltou em sua vida. Mesmo a vontade de se tornar o número 1 do mundo novamente. Feito que o tornou o mais velho número 1 do mundo e pela primeira vez ele quis quando já tinha uma idade em que muitos dos atletas já tinham parado. Por algum motivo, ele agora queria jogar, ou talvez, não parar.

A inspiração com Steffi se estendeu para seu segundo casamento, seus dois filhos e para a Andre Agassi College Preparatory Academy para trabalhar com crianças carentes. Relutante em ter seu nome na escola, foi convencido pelos patrocinadores da força de seu nome para angariar recursos para seus pupilos onde ele tenta encurtar o caminho das pessoas para que encontrem o seu sentido da vida.

O homem que aprendeu a amar o caminho que não escolheu

Creio que se o encontrasse hoje nas ruas, passaria despercebido, mas ao ler sua autobiografia pude compreender e me identificar com vários aspectos de sua personalidade e hoje o admiro ainda mais como ser humano.

50 anos não se faz todo dia não é mesmo?

Demétrius Carvalho Written by:

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