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Grandes números costumam ser marcas atingidas depois de grandes feitos e por isso mesmo comemoradas. O milésimo gol de um atleta, 20 anos de carreira em sua profissão, mas não é o caso que temos hoje.

Temos que lamentar e muito o caminho que a crise do Covid-19 tomou no Brasil. Não tem como negar que nossas escolhas foram péssimas. Ontem (19.06) tínhamos cerca de 450 mil óbitos no mundo. Isso nos leva (de forma aproximada pois os números mudam diariamente) a 1 entre cada 9 mortos no planeta pelo Coronavírus. E se as atuais tendências continuarem, teremos o nosso quadro amplamente piorado visto que ainda em números crescentes pelo mundo, atingimos ontem cerca de 150 mil novos casos sendo 50 mil no Brasil. Ou seja, 1 em cada 3 novos casos é no Brasil. É assombroso. É gigantesco. Um verdadeiro Tsunami de descaso.

Enquanto algumas regiões do Brasil sentem um decréscimo em seus números de infecções, outras ela mal chegou e o mais irracional que pode nos parecer é a flexibilização de onde os números continuavam ainda crescendo. Sabe aquele papo que era melhor um lockdown severo do que se estender indefinidamente essa quarentena? Virou normal morrer mil pessoas por dia.

E diferente da questão partidária apontada como problema, não foi essa a questão e sim a falta de posicionamento de combate à pandemia (aliás, em nenhum momento vimos o governo falar do combate ao Covid-19). Fala-se apenas que o comércio não pode parar. Agonizamos por cem dias e enquanto vemos vários países ensaiando o retorno ao mercado de trabalho, nós continuamos nessa olimpíada do terror e pelo jeito estaremos disputando o título. É triste. É trágico. Mas é previsível. Aliás, já me perguntei em 23 de abril onde foi que erramos…

As previsões mostram que não tivemos apenas uma gripezinha. Ela não está indo embora e na verdade, parece mais salutar reconhecer que a estratégia foi equivocada e tentar minimizar perdas daqui para frente do que simplesmente atirar a população sem opção de escolha ao mercado de trabalho. Temos visto que quem tem como fazer a quarentena aumenta suas chances perante as estatísticas, logo a parcela mais desassistida da população fica a mercê da própria sorte e torcendo por fazer parte da população que não é afetada pela enfermidade. Em resumo, você que lute se não tiver dinheiro.

Países com atitudes parecidas semelhantes a do Brasil como Estados Unidos e Reino Unido estão bem mal nesse ranking também. Na contramão, temos países bem sucedidos no combate da doença. Canadá, Nova Zelândia, Alemanha, Áustria, República Tcheca, Argentina, Coréia do Sul, China, Taiwan, Singapura. Países de direita, esquerda, capitalista, comunista, ultraliberal ou esfacelado economicamente como a Argentina mostram que o que a ciência apontava no começo da pandemia. Isolamento social é o principal paliativo que temos pois provavelmente apenas uma vacina pode dar fim ao suplício que atravessamos.

O que nos resta é esperar o pior passar pois nossos números podem estar muito longe do fim e já não há como acreditar que não cheguemos em 60 mil óbitos.

Todos nós queríamos estar errados, mas as previsões tem-se mostrado corretas perante à falta real de combate ao problema. Nossos dias parecem nebulosos e lembro no começo da quarentena quando pessoas se perguntavam se quarentena era 40 dias como algo um tanto quanto inviável. Pois bem… temos vivido tempos inviáveis…

Que a história pelo menos cobre os omissos…

Demétrius Carvalho Written by:

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